Dicas de redação de viagens: transformando seu narrador em uma “câmera”

Dicas de redação de viagens: transformando seu narrador em uma “câmera”

NÓS MAIS COMUMENTE descrevemos o lugar através de nossos olhos. De certa forma, podemos pensar em um narrador quase como uma câmera.

No entanto, uma coisa a ter em mente é não “atrapalhar” a câmera com muita frequência. Veja este exemplo:

Olhei para a vasta playa enquanto o sol se punha.

Observe como o narrador ("eu") está "na cena".

Quando removemos o narrador da cena para que seja apenas uma descrição do terreno, os visuais tendem a sair mais diretos e vívidos:

O sol estava se pondo sobre a vasta praia.

Como escritores, nós "atrapalhamos" simplesmente porque estamos inconscientemente declarando o que vimos, por exemplo:

Eu vi táxis correndo pela Avenida de Mayo.

Mas, por não ser superconsciente de exatamente como cada palavra afeta a experiência do leitor da história, podemos inadvertidamente "obstruir" a composição. Observe como a versão desobstruída tem uma leitura mais nítida:

Os táxis aceleraram pela Avenida de Mayo.

Às vezes, essa camada extra de se inserir como narrador na ação (ex: “Eu vi”) é importante, no entanto, especialmente se permite que você revele algo sobre a mudança de emoções ou momentos de nova consciência. Mas, novamente, esta deve ser uma decisão consciente sobre como você está tentando moldar a narrativa.

Também é importante notar que essa sensação de ser uma "câmera" não se limita apenas ao que o narrador "vê", mas como ele interage na história em geral:

Subi as escadas em zigue-zague e passei por bares mal iluminados até chegar ao nível superior do Sky Garden. Encostei-me no bar e observei australianos bronzeados dançando com bebidas nas mãos ao Party Rock Anthem do LMFAO.

Observe que, se removermos as partes autorreferenciais, isso permite ao leitor "habitar" a narrativa de uma forma muito mais direta:

A escada subia em zigue-zague passando por bares mal iluminados até o nível superior do Sky Garden, onde australianos bronzeados dançavam ao som do Party Rock Anthem de LMFAO.

Como você consegue um equilíbrio entre “atuação” e “narrativa” em sua narrativa?

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