5 fatos sobre os hooligans do futebol brasileiro

5 fatos sobre os hooligans do futebol brasileiro

FOI A RODADA FINAL do Campeonato Brasileiro de 2013. Em jogo estavam o segundo lugar do Atlético Paranaense, do Paraná, e o rebaixamento, do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Nas arquibancadas da Arena Joinville, a vitória esmagadora do anfitrião foi ofuscada por demonstrações de genuína brutalidade.

A selvageria do organizadas - como os grupos organizados de hooligans são conhecidos no Brasil - resultou na suspensão do jogo. Quatro fãs foram levados para o hospital, um deles em estado grave. Seis homens foram presos. Felizmente, ninguém morreu.

Na manhã seguinte, jornal esportivo brasileiro LANÇA! relataram que 234 pessoas perderam a vida em confrontos ligados ao futebol nos últimos 25 anos. A morte inicial foi registrada em abril de 1988. A vítima era o chefe da Mancha Verde, do Palmeiras organizada com sede em São Paulo.

Desde o episódio em Joinville, mais uma pessoa morreu, um torcedor do Sport FC de Recife que foi espancado na cabeça por um banheiro na segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Os números podem parecer pequenos em comparação com outros países. Só a tragédia de Heysel em 1985 matou 39 pessoas por causa da irresponsabilidade dos hooligans de Liverpool. Mas a violência é um problema sério no futebol brasileiro e tem particularidades.

1. Os problemas normalmente acontecem fora dos estádios.

Havia duas coisas fora do comum nos confrontos entre os organizadas do Atlético Paranaense e Vasco. A primeira é que pessoas foram presas. A segunda é que a violência aconteceu dentro dos estádios. Isso é raro. Os confrontos entre torcedores são regularmente agendados na internet e consumados nas ruas.

O torcedor do Atlético Mineiro Lucas Batista Marcelino, de 20 anos, foi baleado e morto por dois torcedores do Cruzeiro, em uma motocicleta, na zona leste de Belo Horizonte, Minas Gerais. Aconteceu em 2009, a cerca de 10km de onde os clubes estavam jogando.

Três anos depois, cerca de mil torcedores do Palmeiras e Corinthians transformaram a zona norte de São Paulo em seu próprio Coliseu. O conflito aconteceu na Avenida Inajar de Souza, a 10km do Estádio do Pacaembu. Dois homens foram baleados.

2. Grupos diferentes de hooligans podem se unir.

Não há cooperação entre torcedores de rivais locais, como Corinthians e Palmeiras. Mas organizadas de diferentes estados, faça alianças que são muito valiosas em jogos fora de casa.

A Mancha Verde do Palmeiras, por exemplo, é amiga da Força Jovem do Vasco. O Independente de São Paulo tem aliança com o Flamengo Jovem. Também existem casos de discrepâncias entre duas organizadas que levaram a relações rompidas. Gaviões da Fiel do Corinthians e Galoucura do Atlético Mineiro eram amigos, mas agora não se suportam.

Às vezes, garante a paz, mas também pode piorar algumas circunstâncias. A organizada do Palmeiras é ainda mais inimiga aos olhos dos Flamengos por causa de sua amizade com Vascos. O resultado disso pode ser visto no episódio brasileiro de “Fábricas de Futebol”, uma série de filmes sobre hooliganismo. Um ônibus que traz os torcedores do Palmeiras de volta a São Paulo é baleado na estrada.

3. Os jogadores não estão imunes.

O ex-médio João Vítor do Palmeiras fazia compras na loja do clube, na rua Turiassu, perto do estádio da equipe, quando se envolveu em uma briga com integrantes da Mancha Verde.

Vagner Love, um dos melhores atacantes de Palmeira nos últimos dez anos, estava sacando dinheiro em um caixa eletrônico, também nas proximidades do estádio do clube, quando foi espancado por organizados.

No futebol brasileiro, os jogadores não estão mais seguros do que os torcedores nas arquibancadas. Quando os hooligans decidem que um jogador de futebol não está jogando bem, eles esquecem os palavrões e as coisas tornam-se reais.

Neste ano, um grupo de criminosos invadiu o campo de treinamento do Corinthian, e houve relatos de agressão a funcionários. Mário Gobbi, presidente do clube e delegado da polícia, disse que o atacante Guerrero foi segurado pelo pescoço por um dos hooligans.

4. É uma cena super homofóbica.

Os esquadrões de hooligans europeus têm uma inclinação para o ultranacionalismo e ideologias neo-fascistas, e a discriminação geralmente corre solta contra negros e imigrantes. No Brasil também existe preconceito, e o mais comum é a homofobia.

Houve um clássico entre Corinthians e São Paulo este ano, onde milhares de corintianos chamou o goleiro Rogério Ceni de “bicha”. São Paulo costuma ser ridicularizado como “um time homossexual” - como se isso fosse algum tipo de ofensa.

No ano passado, Emerson, herói do Corinthians na Libertadores, com dois gols na final contra o Boca Juniors, publicou uma foto no Instagram onde beijava um amigo. O que a princípio foi uma ação excepcional contra a homofobia acabou sendo um episódio lamentável. Após pressões de vários sócios da Gaviões da Fiel, retraiu-se, disse que não pretendia ofender, e afirmou publicamente que prefere mesmo as mulheres.

Os torcedores do Corinthians não são os únicos homofóbicos do futebol brasileiro, é claro. O Atlético Mineiros acredita que uma boa maneira de ofender os Cruzeiros é chamá-los de “Maria”. Os fãs de São Paulo pararam de cantar o nome do jogador Rycharlison porque ele era visto como gay. O jogador finalmente se tornou homossexual em 2013.

5. Eles gostam muito de carnaval.

São paulo organizadas também estão em desfiles de carnaval. A sede geralmente está localizada no mesmo local onde bateristas e sambistas Ensaio para o Carnaval todos os anos. E eles são muito relevantes. Gaviões da Fiel, do Corinthians, por exemplo, conquistou quatro vezes o “grupo especial” da cidade.

A Mancha Verde do Palmeiras nunca conquistou um título, mas está sempre na primeira divisão. Já os Dragões da Real paulistas, há três anos, participam do “grupo especial” do desfile de carnaval.

Em 2012, um membro do Império da Casa Verde invadiu o espaço do júri e rasgou alguns votos. Em seguida, Gaviões da Field fez o mesmo. Corintianos deu continuidade à violência chutando e movendo as grades que separavam o Sambódromo do Anhembi das ruas.

Em 2012 e 2013, os três grupos estiveram na mesma corrida - motivo de profunda preocupação para a polícia e as autoridades.


Assista o vídeo: Hooligans Gothenburg vs Helsingborg BRIGAS DE TORCIDAS